Quando se fala em estilo a maioria das pessoas pensa, automaticamente, em moda. “Ter estilo é estar na moda”, o que não é, de todo, verdade. "Moda" e "estilo" são conceitos distintos que reflectem realidades diferentes. Um não implica, necessariamente, o outro.
Comentários (0) | 07 de Dezembro de 2006
A "moda" traduz o reflexo da cultura do momento, dizendo respeito a tudo o que vigora em determinado período, como o tipo de roupa, a decoração, a música ou a arquitectura. É definida pelo que os estilistas e a indústria propõem a cada estação, constituindo algo tão volúvel e susceptível que muda, no mínimo, a cada seis meses, de tal forma que o que hoje é tendência, amanhã já está “fora de moda”. Consequentemente, o mundo da moda transformou-se num sistema em constante renovação, que reflecte uma necessidade permanente de mudança, de procura de novas expressões e formas de vestir.
O estilo, pelo contrário, apresenta-se consistente ao longo do tempo, traduzindo-se num reflexo directo das nossas escolhas, numa extensão de nós próprios, da nossa personalidade, dos nossos valores e maneira de ser. É o que faz de nós únicos e inimitáveis enquanto indivíduos. É algo interior, que não vai mudar só porque a moda assim o dita.
Duas pessoas podem vestir, exactamente, a mesma peça de roupa sem que por isso pareçam iguais. Cada uma delas vai imprimir o seu cunho pessoal à forma como a usa. Esta escolha, ou toque pessoal, vai depender de cada pessoa em particular, dos seus gostos, preferências e modo de vida, sendo, por isso mesmo, consequência directa do estilo de cada um.
Como afirmou Giorgio Armani, “o estilo está acima da moda. Usa as suas ideias e sugestões sem as aceitar na totalidade. Um homem ou uma mulher com estilo, jamais modificam radicalmente a sua forma de vestir em função da moda”. A moda é cíclica, efémera, mas o estilo, esse, permanece!
Não podemos mudar só porque está “na moda” mudar, só porque os outros o dizem. Devemos, isso sim, de entre as várias tendências que os criadores propõem, seleccionar aquelas que se adeqúem ao nosso estilo de vida, ao nosso tipo físico e combinem com os nossos traços e gosto pessoal, ou seja, que combinem com o nosso estilo. E é precisamente nesta selecção que se encontra o cerne da questão. Quem tem noção do seu estilo faz as escolhas de forma consciente e sistemática, com o objectivo de ser visto pelos outros exactamente da forma que pretende. Quando estamos seguros do nosso estilo, a forma como nos apresentamos traduz-se num verdadeiro cartão de identidade, que transmite de imediato aquilo que somos.
Mas nem todos têm noção do seu estilo. Quantas vezes ouvimos alguém dizer “eu não tenho estilo” ou “não sei qual é o meu estilo”? Bastantes, com toda a certeza. É uma situação mais usual do que à partida se poderia imaginar. Nem sempre sabemos com o que nos identificamos ou o que nos favorece, traduzindo-se esta incerteza num verdadeiro caos na altura de comprar roupa. Entramos numa loja e não sabemos, não só o que comprar, como o que nos favorece em termos de corte, cor ou tipo de tecido, o que, em grande parte das vezes, se traduz em escolhas erradas, que nada têm nada a ver connosco. Resultado, parece que se está a usar uma máscara, um disfarce, que faz transparecer uma imagem de insegurança, o que, em último grau, conduz a uma perda de auto-estima. Para muitas pessoas, pior do que não estar satisfeito com a sua imagem, é “parecer mal” aos olhos de terceiros.
A solução passa por encontrar, ou mesmo criar, um estilo pessoal e, a partir daí, trabalhar a imagem de modo a valorizá-la. No entanto, criar um estilo, uma imagem de marca, não é uma tarefa fácil, exige tempo e conhecimento aprofundado do nosso corpo, uma vez que o objectivo será valorizar o que temos de melhor e remeter para segundo plano o que menos gostamos. Cada um de nós, ainda que não o saiba, tem sempre um ou mais estilos com os quais se identifica. É um processo que se desenvolve ao longo de toda a vida, estando intimamente ligado à história de vida de cada um.
Como se pode, então, identificar o estilo pessoal? O primeiro passo consiste no autoconhecimento. É essencial conhecer bem o corpo (de todos os ângulos, não só de frente!) e identificar os aspectos a valorizar. O segundo passo traduz-se na identificação do estilo propriamente dito, tendo em conta a imagem que pretendemos transmitir.
Existe literatura específica na área que pode ajudar neste processo. Dois bons livros, que abordam, de forma simples e concisa, esta temática são: "Chic", um guia básico de moda e estilo, de Glória Kalil; e "Segredos de estilo", um manual para você ficar sempre bem, de Christiana Fancini. Uma alternativa, igualmente eficaz, consiste em analisar revistas de moda. É fácil observar ao folhear uma dessas revistas os vários tipos de estilo. Da mesma forma, conseguimos avaliar com clareza aqueles com que mais nos identificamos.
Em primeiro lugar, comecemos por assinalar todos os "looks" que nos sentiríamos confortáveis em usar, tendo em conta a imagem que cada um transmite. No final, identificam-se as tendências que estão na base de cada uma das propostas escolhidas. Essas tendências vão definir o estilo pessoal. O truque consiste em encontrar, ou criar, um estilo predominante e a partir daí construir a nossa imagem, tendo sempre presente que não existem estilos certos ou errados, apenas estilos diferentes, mais clássicos ou mais modernos. O que importa é descobrir a nossa identidade, aquilo com que nos identificamos, o que “tem a nossa cara”.
O objectivo último é, esse mesmo, que as pessoas nos reconheçam pelo nosso estilo, ou por outras palavras, que a nossa imagem fale por nós. Mas atenção, conhecer o nosso estilo não é sinónimo de estar sempre bem apresentado! Pessoas que têm bem presente o seu estilo podem estar vestidas de forma desadequada, basta que para isso não tenham consciência da sua estrutura física ou do estilo adequado a cada ocasião. Por exemplo, vestir de forma casual quando a ocasião pede formalidade, só porque o nosso estilo predominante é o desportivo está errado. Neste caso específico, o estilo a adoptar deveria ser o elegante ou o clássico. Assim, mais importante do que ter estilo, é ter o estilo certo em todas as situações, que transmita uma imagem de naturalidade e segurança.
Este é um exercício complexo, mas com algum empenho e um pouco de bom senso todos conseguimos. Só é preciso tentar, ainda que para isso necessitemos de ajuda profissional ou de muitas horas de pesquisa. Mas no final, garantidamente, os resultados vão ser recompensadores.