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Moda e Beleza

Comentários (0) | 08 de Novembro de 2006

A preocupação com a aparência, em termos de cada indivíduo em particular, surge apenas no final da Idade-Média, época a partir da qual a roupa passou a ser usada como forma de diferenciação pessoal perante os demais, facto que se verifica até aos dias de hoje. Escolhemos as roupas que usamos como forma de afirmação daquilo que somos perante os outros... ou pelo menos deveríamos tentar fazê-lo.

No entanto, nem sempre a imagem que passamos aos outros corresponde ao que, efectivamente, pretendemos mostrar ou traduz aquilo que na realidade somos, o que nos conduz de volta à questão: será a nossa imagem realmente importante? Pode condicionar a nossa vida ou não passa de um aspecto supérfluo e de menor importância?

De acordo com vários estudos realizados nas áreas da Psicologia da Comunicação e da Psicologia Social, a primeira impressão que formamos acerca dos outros é, maioritariamente, influenciada pela comunicação não verbal, sendo 55% da mesma baseada na aparência e nas acções do individuo. A comunicação verbal, ou seja, aquilo que efectivamente dizemos, tem um peso de apenas 7%.

Perante estes dados, e reflectindo um pouco mais sobre esta matéria, podemos chegar a conclusões bastante interessantes. Partindo do facto de que é através da primeira impressão que se regem as futuras interacções com os outros e sabendo que se esta for positiva somos aceites, mas se for negativa tendem a “fechar-nos as portas”, então podemos concluir que: 1. a nossa imagem é na realidade importante; 2. o modo como nos apresentamos perante os outros vai condicionar a forma como somos vistos e, como tal, tratados.

Estas conclusões demonstram ainda maior relevância se pensarmos no carácter secundário a que, na maioria das vezes, remetemos a questão da composição do nosso guarda-roupa. Quem já não teve um dia em que vestiu a primeira coisa que encontrou no armário sem pensar na imagem que essa roupa daria? Quase todos nós. No entanto, a imagem que transmitimos nesse instante a alguém que não nos conheça não é a de que este foi um mau dia na escolha da roupa, mas antes que esse é o tipo de pessoa que somos. Uma boa apresentação posterior não vai ter peso muito significativo na sua opinião, porque para essa pessoa a primeira impressão já foi formada e, não duvidem, mudar esta impressão é difícil e requer motivação para isso, o que na maior parte das vezes não acontece.

As implicações destes dados podem fazer-se sentir em várias áreas da nossa vida, nomeadamente a nível profissional. É um facto que uma boa imagem não garante, por si só, um bom emprego ou promoção, mas uma má imagem pode inviabilizar a oportunidade de os conseguir, independentemente do nosso nível de conhecimento. De acordo com Silvana Bianchini, Consultora de Imagem e sócia da Dresscode International, o “visual de um profissional pode não lhe garantir sucesso, mas aqueles que se vestem inadequadamente, com certeza, estão destinados ao insucesso”.

Em entrevistas de selecção, por exemplo, observa-se que os seleccionadores procuram muitas vezes pistas ao nível da aparência que lhes permitam avaliar o candidato, sendo, por norma, eliminados todos aqueles que passem mensagens negativas através da sua imagem ou postura. Apesar da fraca fiabilidade inerente a este procedimento, uma vez que se está a efectuar uma primeira avaliação com base, apenas, nas qualidades externas de uma pessoa, o mesmo traduz uma forma útil de o entrevistador poupar recursos no decurso de um processo de selecção.

Será justa a avaliação baseada unicamente em factores externos? Provavelmente não, mas esta é uma situação corrente na vida de qualquer um de nós, para a qual devemos estar preparados. Somos avaliados relativamente à classe social, personalidade, situação financeira ou sucesso profissional, no exacto momento em que nos cruzamos com alguém, tanto a nível profissional como pessoal. Deste modo, e não podendo fazer nada em contrário, resta-nos garantir que conseguimos estar sempre no nosso melhor ao nível da aparência pessoal.

A Imagem Pessoal traduz-se, assim, em algo mais do que um mero aspecto secundário, que somente as pessoas com actividades que impliquem exposição mediática precisem de trabalhar, mas antes numa poderosa aliada que todos temos ao nosso dispor e que, bem utilizada, pode ser tida como um instrumento de poder e valorização pessoal perante os outros. Se assim não fosse, porque outra razão utilizaríamos, com tanta frequência, a expressão “uma boa imagem vale mais do que mil palavras”? Pense nisso...

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