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Cultura

Comentários (0) | 04 de Maio de 2007

EPIC MOVIE - 4 de Maio (Sexta-Feira):

Os realizadores Jason Friedberg e Aaron Seltzer, dois dos argumentistas da saga Scary Movie, aumentam o legado deste tipo de cinema-sátira com este Epic Movie. Neste caso, os alvos são os filmes As Crónicas de Narnia, Charlie e a Fábrica de Chocolate, Serpentes a Bordo, O Código Da Vinci, Super Nacho, X-Men e Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto.

A história centra-se em quatro órfãos: um educado pelo conservador do museu do Louvre; um refugiado da "luta livre" mexicana; outro uma recente vítima de cobras no seu avião; e o quarto um residente "normal" de uma comunidade de mutantes. O infeliz quarteto visita uma fábrica de chocolate, onde dá de caras com um roupeiro encantado que os transporta para a terra de Gnarrnia. Aí encontram um espalhafatoso capitão de um navio pirata e estudantes zelosos de feitiçaria. Assim, juntam-se, entre outros, a um leão, sábio e libidinoso, para derrotarem a maléfica White Bitch de Gnarnia.

HANNIBAL RISING - A ORIGEM DO MAL - 5 de Maio (Sábado):

Depois de O Silêncio dos Inocentes, Hannibal e Dragão Vermelho, Hannibal Lecter regressa ao grande ecrã num filme sobre os seus anos de juventude realizado por Peter Webber (o mesmo de Girl With A Pearl Earing).
Sendo assim, é-nos dada a conhecer a sua juventude traumática: «após sobreviver aos horrores da guerra na qual perdeu a família, o jovem Hannibal Lecter» (Gaspard Ulliel, visto em Paris Je T´Aime na curta de Gus Van Sant) «vê-se encarcerado num orfanato soviético. Atormentado pelos colegas, revolta-se contra o poder abusivo da instituição e foge para os arredores de Paris, refugiando-se no castelo do recém falecido tio. Acolhido pela bondosa e sensual Lady Murasaki» (Gong Li, vista em Miami Vice e Memoirs of a Gueisha), «viúva do tio, o interesse do jovem Hannibal pela comida, pela música e pela pintura começa a desenvolver-se apesar de constantemente perseguido pelos fantasmas do passado. A iniciar-se no campo da medicina, Hannibal tenta obsessivamente mergulhar no seu subconsciente, acabando por descobrir que os fantasmas do passado não são apenas fantasmas, mas sim pessoas reais, criminosos de guerra. Chegou o momento da vingança.» (in 7arte.net)

Em cinema2000.pt lê-se: « (…) apesar de um arranque lento e pouco envolvente, o filme consegue captar a nossa atenção a partir do início da sua adolescência, quando conhece a sua tia Lady Murasaki (excelente Gong Li, num grande registo de subtileza e sensualidade). Aliás, a relação de Hannibal com esta irá motivá-lo e moldar parte da sua personalidade, no que diz respeito à sua formação a nível cultural e não só...

Gaspard Ulliel, parece deixar algumas reservas no início, mas com o decorrer da trama, e sobretudo na cena com a sua 1ª vítima, depressa nos convence de que foi uma boa escolha para desempenhar o papel do jovem Hannibal. As cenas mais violentas são arrepiantes e não são aconselháveis a pessoas sensíveis, mas são de uma beleza estética de encher o olho, pela forma criativa com que foram filmadas. De facto, Peter Weber soube captar o surgimento daquela maldade e vontade de vingança de forma crua e visceral, no encenamento das primeiras mortes que Hannibal pratica com um requinte de malvadez e sadismo extremos, que se lhe tornaram característicos.

O argumento é bom e coerente, os cenários bem conseguidos, porque bastante realistas. As interpretações são competentes, com destaque óbvio para Gaspard Ulliel, Gong Li e Rhys Ifans (como arqui-inimigo de Hannibal).

Um filme a ver, pela sua consistência, pelos ambientes e sabor europeu que nos dá do personagem...»


BABEL - 11 de Maio (Sexta-Feira):

Filme sensação do realizador Alejandro González Iñárritu, o mesmo de 21 Gramas e Amor Cão, conta com as elogiadas participações de Brad Pitt (Mr. & Mrs. Smith), Cate Blanchett (Diário de um Escâncalo), Adriana Barraza (nomeada ao Oscar de Melhor Actriz Secundária), Rinko Kikushi (igualmente nomeada) e Gaél Garcia Bernal (Diários de Che Guevara, A Ciência dos Sonhos, O Crime do Padre Amaro). Dado como favorito ao Óscar de Melhor Filme na última edição dos prémios da Academia, acabou a noite com apenas uma estatueta no currículo, das sete nomeações.

A sua trama entrelaça quatro histórias em quatro continentes diferentes: um incidente trágico liga um casal de turistas americanos, numa luta frenética para sobreviver, dois rapazes marroquinos envolvidos num crime acidental, uma ama atravessando ilegalmente a fronteira para o México com duas crianças americanas e um pai de uma adolescente japonesa procurado pela polícia em Tóquio. Separados por choques culturais e distâncias desiguais, cada um destes quatro grupos distintos, mesmo assim, avança, tumultuosamente, para um destino repleto de isolamento e de dor.

Em apenas poucos dias, cada um enfrentará a sensação vertiginosa de estar verdadeiramente perdido no deserto, perdido no mundo, perdido de si próprio, enquanto são empurrados para os pontos mais longínquos da confusão e medo, mas também para as profundezas das relações e do amor.

A beirar o documentário cultural em muitos momentos, apoiado numa boa banda sonora (o compositor Gustavo Santaolalla repete a graça de Brokeback Mountain e vence o Óscar de Melhor Banda Sonora por Babel), com um intercâmbio de ideias e interligações interessantes e representações bastante convincentes em geral, destacando Rinko Kikuchi (a adolescente japonesa) e Brad Pitt, no papel de Richard (o marido em sofrimento pelo estado da mulher alvejada, Cate Blanchett), que já me habituou à qualidade interpretativa que exala para além da sua beleza estética (veja-se Fight Club).

Depois de ver o filme escrevi num blog sobre cinema: «(…) a globalização não passa de uma ilusão, somos todos humanos mas uns ainda vivem do pó, somos todos carentes mas outros ainda se refugiam na promiscuidade, somos todos sofredores mas muitos ainda fogem de si próprios.» Isto para dizer que era esse o tema do filme mas que só isso não vale uma nomeação para Óscar. Não gostei do filme, mas é um filme adorado por outros.
18 e 19 de Maio (Sexta-Feira e Sábado) - Ghost Rider
Mais uma adaptação do mundo dos comic books dos super-heróis e, como neste caso, dos anti-heróis, realizado por Mark Steven Johnson (Daredevil). Nicholas Cage (World Trade Center) é Johnny Blaze, um duplo famoso pelas suas acrobacias com motas, que vende a alma ao diabo depois de um acidente mortal. Isto faz com que tenha de deixar Roxanne (Eva Mendes, Hitch), a sua namorada e ganhe como destino uma vida nas sombras, sem amigos nem amores. Alguns anos mais tarde, quando Blaze finalmente começa a duvidar da sua dívida, o diabo (Peter Fonda) decide vir buscar o que é seu. Consequência? À noite, na presença do mal, Johnny torna-se em Ghost Rider, um implacável caçador de demónios e anjos com prioridades trocadas. Mas combater o mal representando o próprio mal não está presente nas intenções futuras de Blaze, e este decide usar os seus poderes para colocar fim à maldição que o persegue.
Filme com um fraco resultado emocional do enredo compensado por uma adaptação visual quase fiel à banda desenhada original da Marvel. Na edição de Abril da Première, João Miguel Tavares escreve: «(…) A equipa de informáticos que dá vida a meio filme fez o seu trabalho, , e não há dúvida que existem planos de encher o olho, mas os cenários faustosos nunca foram suficientes para fazer bom cinema. (…)».

Destaque para a presença do jovem actor Wes Bentley como filho de Mefistófeles, Blackheart, que brilhou em American Beauty mas que após o sucesso do filme se apagou nas luzes de Hollywood, apesar de participar em filmes como The Four Feathers ao lado de Heath Ledger (Brokeback Mountain) e Kate Hudson (You, Me & Dupree). Como curiosidade, foi o escolhido para interpretar Sonny em Monster´s Ball – Depois do Ódio (Óscar de Melhor Actriz para Halle Berry) mas acabou substituído por… Heath Ledger.


DIÁRIO DE UM ESCÂNDALO - NOTES ON A SCANDAL - 5 de Maio (Sexta-Feira):

Filme adulto para maiores de 16 anos (não, não é para adultos, apenas trata um tema delicado), dirigido por Richard Eyre (Íris). Trata de um perturbador drama psicológico que põe frente a frente dois colossos das suas gerações, com as consequentes nomeações para Óscar: Cate Blanchett (Óscar de Melhor Actriz Secundária por O Aviador)e Judi Dench (Óscar de Melhor Actriz Secundária pelos minutos como Rainha Isabel I em Shakespeare Inlove e a big-boss M da saga 007).

As voltas e reviravoltas da história são anotadas no diário de Barbara Covett (Dench), uma professora autoritária e solitária que governa com mão de ferro os seus alunos numa decadente escola pública em Londres.
Quando Sheba Hart (Blanchett), uma jovial e recém contratada professora de Arte, casada e com pouco mais de trinta anos, se torna sua amiga, Barbara julga ter encontrado a companhia ideal (no trailer Barbara narra: «She´s the one I´ve been waiting for.»). Ou seja, espera mais que uma amizade. Contudo, ao descobrir que Sheba mantém uma tórrida relação amorosa com um jovem aluno, interpretado pelo estreante Andrew Simpson, a desilusão dá lugar à chantagem e a uma manipulação obsessiva.
Ao mesmo tempo que Barbara ameaça expor o terrível segredo de Sheba, tanto ao marido como ao resto do mundo, também os seus próprios segredos e sombrias obsessões se tornam conhecidos, expondo as desilusões de cada uma destas mulheres.

Em cinema2000.pt lemos: « (…) O argumento de Patrick Marber (“Closer”), com base no livro de Zoë Heller, “What Was She Thinking: Notes on a Scandal”, é uma visão perturbante sobre o efeito tóxico da solidão crónica, mesmo quando esta é vivida no seio de uma família. (…) O filme (…) beneficia de personagens profundas e desenhadas em detalhe, interpretadas com ferocidade por uma Cate Blanchett de intensa beleza e à beira do colapso nervoso e uma Judi Dench simultaneamente ameaçadora e vulnerável, que, do alto dos seus 72 anos abdica de toda a vaidade. (…)».


OS ROBINSONS - MEET THE ROBINSONS - 26 de Maio (Sábado):

Adaptação do livro "A Day with Wilbur Robinson" (1993) de William Joyce, é o primeiro filme de animação dos estúdios da Walt Disney para este ano de 2007 sendo também a primeira grande aposta no cinema Digital 3D.

Conta-nos a história de Lewis que, ainda bebé, é deixado pela mãe à porta de uma orfanato. Doze anos mais tarde é um pequeno génio que passa o tempo a inventar engenhocas que raramente funcionam a não ser para afastar possíveis pais adoptivos, o que o faz decidir-se a encontrar a sua mãe. Visto que foi o único a vê-la, inicia a construção de um scanner de memória que o poderá ajudar a lembrar-se da sua cara.

Lewis dirige-se então a uma Feira de Ciência disposto a apresentar a invenção. É lá que conhece Wilbur Robinson, um rapaz que diz vir do futuro e que o alerta para a presença do Homem Chapéu (The Bowler Hat Guy), vilão que pretende sabotar o invento. Para provar que fala a verdade, Wilbur leva Lewis para o futuro, onde este acaba por conhecer a família Robinson...

A história segue o legado de Walt Disney: diverte-nos, mantém-nos cientes de que saímos da nossa realidade e aborda temas que agradam tanto a filhos como aos pais.

Quem gostou d'Os Incríveis, À Procura de Nemo ou mesmo Toy Story não vai ficar desiludido, embora o filme esteja uns furos abaixo dessas obras. O trabalho de John Lasseter (Pixar), agora no comando da animação da Disney, começa a dar os seus frutos.


(Sara Vaz Franco @ memoriadeelefanta.blogspot.com)

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