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Sociedade

Comentários (0) | 01 de Junho de 2007

Mafra pode muito bem ser uma cidade criativa, diz Miguel Lopes, mentor da ideia do movimento cívico, criado há cerca de um mês. Isto significa “uma elevada tecnologia de ponta, elevado capital humano e o indicador mais simples é o número de licenciados, entre outros indicadores, como a tolerância e a possibilidade das pessoas terem estilos de vida diferentes”.

Se o concelho permite ou não atingir estes indicadores, “neste momento isso não é claro”, diz Miguel Lopes. Importa discutir a actividade empresarial existente. O facto do salário dos mafrenses estar abaixo dos 500 euros é um indicador demonstrativo de um concelho que “não está tecnicamente avançado”.

As soluções passam por “ter níveis de poder de compra mais elevados, atrair pessoas com capital humano mais elevado, com mais habilitações, atrair empresas. Estas pessoas não se movem só por dinheiro, há que cativá-las através da cultura, da possibilidade de ter um estilo de vida próprio”.

Óbidos é um exemplo dado pelo professor de Psicologia no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), pelas semelhanças que tem com o concelho de Mafra, “nomeadamente a proximidade de Lisboa, mas ao mesmo tempo uma tradição mais secular, mais rural”. A existência de um parque tecnológico seria uma mais-valia para Mafra, acrescida de uma universidade, já que "o concelho começa a ser cada vez mais jovem”.

O Movimento XXI começa os seus encontros em Mafra, no dia 15 de Junho na Associação de Comerciantes, pelas 21h30 com o debate do tema “Desenvolvimento Sustentado”, mas projecta uma descentralização das discussões, indo ao encontro dos cidadãos.

O grupo de cidadãos não tem pretensões partidárias. Contudo, conta com o poder político para participar nos debates e discutir diversos pontos de interesse para o concelho, chegar a conclusões.

“ESTE NÃO É UM MOVIMENTO DE OPOSIÇÃO A NADA”

Para Pedro Tomás, empresário, este movimento “tenta ser uma visão desapaixonada do contexto partidário, ou seja sem nenhum tipo de atilhos aos partidos políticos".

“Não nos cabe a nós, enquanto movimento, aplicar as ideias, cabe-nos lançarmos para o debate com os dados que nos são fornecidos e que conhecemos este tipo de ideias”, afirma.

O movimento, referiu, “não está fechado em termos ideológicos, está aberto a qualquer pessoa do concelho, e não só, para todos os assuntos que vamos colocar em cima da mesa”.

Pedro Tomás reforçou a ideia de que “este não é um movimento de oposição a nada”, apesar de reconhecer que não pode “vestir e despir” a camisola do PS. Enquanto cidadão, o que pretende é que o movimento caminhe como "parceiro das pessoas que têm poder político para decidir”.

O concelho, diz, proporciona uma qualidade de vida razoável, mas apresenta “problemas estruturais que convém atacar. Se por um lado, em termos de obras tem havido um bom trabalho da parte da Câmara Municipal e da parte do Estado, há certas situações que têm de ser resolvidas já desde início”. Pedro Tomás refere-se a problemas de "violência", "urbanismo desenfreado", como acontece, por exemplo, em Loures, típicos de um “subúrbio da capital”.

MAFRA: “O RENDIMENTO PER CAPITA É O MAIS BAIXO DO DISTRITO DE LISBOA”

Muita gente está a vir para o concelho, com a facilidade ao nível dos acessos, mas numa “óptica de morar”, o que não “cria valor para o concelho”, diz Patrícia Palma, professora universitária no ISPA residente na Venda do Pinheiro.

O potencial da população nova não está a contribuir para o concelho. A desilusão aumenta aquando de um olhar por determinados indicadores: “Mafra, dentro do distrito de Lisboa é o concelho onde as habilitações tendem a ser inferiores comparativamente a outros concelhos, o rendimento per capita é o mais baixo de todo o distrito de Lisboa”.

A juntar, a falta de novas empresas que possam vir a aproveitar este “potencial de pessoas”, de forma a gerar “mais valor para o concelho, que fica aqui e não foge”. Um concelho “melhor, mais criativo e mais tecnológico” são desejos do Movimento XXI e de outras vozes que já tiveram oportunidade de ouvir.

Mafra, conclui Patrícia, tem umas “características óptimas: está perto de Lisboa, estamos entre a serra e o mar e temos uma paisagem linda. O Movimento pode contribuir para uma harmonia entre natureza, construção civil e principalmente pólos tecnológicos”.

CUIDADOS DE SAÚDE MAIS PRÓXIMOS DAS PESSOAS

Bruno Noronha Gomes é o elemento mais recente do Movimento XXI. Enfermeiro em Lisboa, mora no concelho, na Póvoa da Galega (freguesia do Milharado) há dois meses. Olhava para Mafra como uma vila saloia e a proximidade com o concelho era estabelecida através da Ericeira.

O concelho, nomeadamente a vila piscatória, precisa de mais serviços, transportes e actividades para os tempos livres, apesar de não faltarem espaços verdes, uma das razões que o trouxe para o concelho.

Em termos de saúde, e se houver uma boa exploração da orla costeira, “é nas férias que acontecem os maiores desastres”, afirma Bruno, os cuidados de saúde “vão ter de estar mais próximos das pessoas”.